segunda-feira, 2 de março de 2009

(Re)Encontro

Este dia já tinha tido algumas datas previstas como 15 de Março e 14 de Fevereiro mas foi mesmo no dia 21 de Fevereiro que o tão desejado encontro, reencontro ou que lhe quisermos chamar aconteceu. Foi um dia muito para não dizer bastante difícil para mim. E como de manhã é que começa o dia foi logo bem cedo que me levantei para poder apanhar o comboio das 7h da manhã em direcção ao desconhecido. Na viagem ia pensando como iria reagir quando visse aqueles que ainda não conhecia, o que iria sentir quando visse a minha mãe e como iria ser a comunicação visto que as irmãs que não conhecia falam francês e percebem alguma coisa de espanhol.


Para não variar à sempre algum imprevisto e os meus dois irmãos e cunhado tiveram um imprevisto e tive que esperar mais um pouco. Foi apenas meia hora mas pareceu uma eternidade, cada vez que vinha um ruído de um carro pensava sempre que era eles e por diversas vezes levantava-me em vão. Até que chegou o momento de conhecer, para já, a minha e irmã. Foi algo estranho, pensei que me ia sentir diferente, algum arrepio, calafrio, alguma emoção, mas não, apesar de ser evidente que somos irmãs devido à semelhança o sentimento não foi esse. Mas ainda havia um longo dia e seguimos viagem até ao local onde estavam hospedados. Ao chegarmos a pessoa que abriu a porta foi aquele que menos curiosidade eu tinha de conhecer, menos vontade tinha de ver por todos os motivos e mais alguns, a minha mãe (talvez seja mais prudente dizer, a mulher que me deu à luz). Olhamo-nos olhos nos olhos, dizem que os olhos falam e falaram e o que eu vi foi uma mulher alegre, contente, transbordando de felicidade por conseguir juntar os seus filhos e poder voltar a ver aqueles que como é o meu caso não acompanhou no seu crescimento. Sempre me questionava sobre a primeira pergunta que lhe iria fazer quando encontrasse a mulher que me colocou no mundo. E como é normal as perguntas que me fazia eram do tipo: “Porquê?”, “Não havia outra escolha?”, “Quem é o meu pai?”, mas nenhuma dessas questões coloquei aliás não tivemos propriamente uma conversa apenas o essencial.
A manhã foi passada em um convívio que até estava a gostar apesar de na minha cabeça pensar que aquelas pessoas entram tão estranhas para mim como as pessoas que vira no comboio naquela manhã, mas como é evidente tentei abstrair-me ao máximo daqueles pensamentos e aproveitar o dia. E assim foi, tirámos várias fotos que infelizmente ainda não as tenho mas assim que possível estarão no blog para que possam conhecer a minha família.
A parte da tarde foi muito mais complicada, fomos almoçar a casa de pessoas que segundo alguns “humildes” e não duvido disso mas que vivem em condições que deixam muito a desejar. Posso não ser abastada ma se há coisa que prezo é a higiene e limpeza numa casa coisa que infelizmente não encontrei e marcou-me muito! Um local degradante que deixa muito a desejar. Outra surpresa foi conhecer o meu actual padrasto (sim porque é coisa que não me falta).



Resumindo muitas coisas se passaram num dia só, não propriamente emoções que foi algo que estava à espera mas que pareciam ter ficado esquecidas em casa. Senti-me fora do meu meio, dos meus costumes e hábitos, noutro mundo. Rapidamente voltei ao meu estado quando despedi-me deles e voltei para minha casa.
No caminho de volta tive oportunidade de reflectir sobre o que se tinha passado naquele dia e entendi que mais cedo ou mais tarde iria acontecer era algo que eu não podia deixar passar. Continuaremos a contactar mas sempre ficará patente que a minha verdadeira família é aquela que me criou.

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