sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cena marada

Tudo tem um começo e esse começo faz parte de uma continuação mas de onde vem essa continuação? Nada acontece por acaso, tudo acontece por algum motivo que por sua vez teve inicio em algo.
Bela maneira começar a contar o que me aconteceu no dia 19! Há dias que ficam marcados para sempre na nossa mente e este vai ser um deles enquanto o Alzheimer não me afectar.
A minha mãe sempre me falou que era perigoso andar sozinha na rua de noite mas foi coisa que eu nunca liguei mas agora mudei de ideias. Tudo começou quando de um momento para o outro meti na cabeça que naquela tarde tinha de ir a Portimão para ir ao cabeleireiro! Coisa banal que bem podia ter sido noutra altura. Peguei em mim e meti-me no comboio sem saber a que hora voltava. Até ai tudo perfeito cheguei sem nenhum problema ao local fiz o que tinha a fazer e voltei para a estação com a intenção de apanhar o comboio de volta para o meu lar. Faltavam cerca de 5 minutos para o comboio chegar quando sou abordada pelo indivíduo que me pede tabaco! Apesar de em criança ter ouvido que não se deve dar conversa a estranho respondi negativamente à sua pergunta. Assim como vi o homem seguir caminho assim o vi a voltar atrás e apontar-me uma arma ao pescoço! Foram momentos de aflição, pânico, autentico terror pois não sabia se sairia dali viva ou em bom estado. Suplicava por dinheiro algo que eu não tinha. As minhas pernas tremiam tanto que parecia que estava em algum local de calções com 30 graus negativos. No entanto sabia que se demonstrasse com muita nitidez o meu medo isso não seria positivo para mim pois o indivíduo poderia exaltar-se mais por isso tentei manter a impossível calma. Lembro-me nitidamente de naquele momento em que só estavam presentes naquele local eu o “ladrão” e relógio ver uma luz ao fundo e um som ainda não muito nítido. Era o comboio, aparecera na hora exacta. E também foi na hora exacta que o homem se recompôs e percebeu que o que estava a fazer não tinha qualquer sentido e para ironia das ironias me pediu desculpa e disse que estava a fazer aquilo apenas por desespero. Em desespero estava eu que naquele momento só pensava em chegar a casa e saber que ainda não era nesse dia que iam dar notícia do meu falecimento ou algo do género.
Assim que entrei no comboio procurei a zona que tivesse mais pessoas o que era difícil dada a hora avançada! Encostei a minha cabeça à janela e no meio do meu pranto passaram na minha mente vezes sem conta aqueles minutos de sofrimento. Parecia um dvd que por mais capítulos que tivesse eram todos iguais com os meus protagonistas e historia.
Mas tudo passou, até hoje custa a crer como me safei daquela, como eu acredito em Deus sei que foi graças a Ele que tudo acabou bem. E uma lição tirei daí, por mais coragem que eu tenha tudo se reduz a nada quando temos algo pequeno mas muito poderoso como foi caso da arma apontada ao pescoço.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Quem eu sou?


Podia começar por dizer que se tratava de uma história que me tinham contado ou de algo que muito vagamente tinha ouvido falar mas não tratava-se mesmo da minha vida.
Tudo começa quando uma mulher não está preparada para ser mais uma vez mãe. Instabilidade emocional e/ou financeira certamente foram uns dos motivos que levaram a deixar uma criança de 8 ano mais uma bebé com cerca de 5 meses. Essa bebé era eu mas como é compreensível não me lembro de nada disso. No entanto posso afirmar que o local escolhido não foi de todo o mais indicado para deixar duas crianças. Que razões plausíveis pode ter uma mulher ter para abandonar duas crianças junto a um prédio abandonado numa zona de pouca passagem. Talvez um dia tenha a resposta. Hoje podia já não estar cá se não fosse um polícia que patrulhava aquela zona a dar o sinal de alarme. Daí até uma instituição não demorou muito.
Instituto Aboim Ascensão é o nome daquela que foi a minha casa durante quase 5 anos. Aí fui recebida com todo o carinho, amor e compaixão que uma criança deseja, no entanto nunca é suficiente para preencher o vazio que uma criança sente em não ter uns pais. Mas esse momento havia de chegar no dia 24 de Fevereiro de 1995 que esse momento chegou. A partir desse momento mesmo certeza que aqueles seriam os meus pais senti logo um grande à-vontade com eles. E assim foi no dia 2 de Março do mesmo ano fui definitivamente moral com eles. Por estranho que pareça não eram nem são pessoas abastadas nem nada que parece-se bem pelo contrario a sua vida era chapa-ganha chapa-gasta. como seria a vida agora com mais um membro na família? Mas nada abalava o desejo do casal que mesmo com mais 2 filhos sentiu um enorme desejo de adoptar uma criança sem se preocupar se era amarela ou vermelha.
Já passaram quase 14 anos e pos
so dizer que sou feliz. Não rica em bens mas rica em carinho e amor. E só agora passados estes anos todos é que conheci todos os meus irmãos e a mulher que me deu à luz. Ao todo somos 7 irmãos todos eles de pais diferentes. Estranho mas é real. O reencontro ao vivo e a cores está marcado para o dia 15 de Março deste ano. Será a primeira vez que estarão reunidos para nos conhecer e tentar perceber o porquê de uma mãe ter abandonado os filhos.
Quando isso acontecer eu depois conto mais novidades acerca desta história que dava uma novela mas é pura da realidade.